Arroteai novas terras

"... arroteai novas terras porque já é tempo de procurar o Senhor..."

Este é um dos desafios que nos faz a liturgia deste dia. Hoje venho desafiar-te a fazer ecoar dentro de ti esta frase: "... arroteai novas terras porque já é tempo de procurar o Senhor..."
O que é que ela sugere na tua vida? Não precisarás também de arrotear novas terras? Que é feito de Deus na tua vida?
Pára um pouco e escuta, no silêncio, o que é sussurrado no teu íntimo.
Se quiseres, partilha conosco este momento, talvez possamos caminhar juntas.

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SALA DE AULA


Numa sala de aula foi realizada uma experiência interessante. A prof. pôs diante dos alunos um quadro e pediu que eles, em trinta linhas, o descrevessem. Tratava-se de uma paisagem rural, com árvores, flores, alguns animais e água. Não era permitido fazer nenhuma pergunta, nem trocar impressões.
Após 45 minutos, a prof. recolheu os trabalhos. Quem os lesse, dificilmente pensaria que tinham sido inspirados no mesmo quadro. Cada aluno projectou um pouco de si naquela paisagem: o estado de alma, as experiências, a emotividade, a sensibilidade artística... tudo havia filtrado a realidade. Eles escreveram aquilo que viam, mas, descreveram também um pouco daquilo que cada um era.
O nosso modo de ser, a nossa história pessoal, é uma espécie de filtro que modifica parcialmente as realidades, para pior ou para melhor. Há pessoas que vêem o mundo com óculos escuros e tudo lhes parece obscuro e sombrio; outras que têm o sol dentro de si e, por isso, vêem todas as paisagens iluminadas. Uma pessoa honesta está mais inclinada para ver honestidade nos outros; uma rancorosa e pessimista vê maldade e negativismo em tudo. Nesse sentido, podemos dizer: «diz-me como julgas e dir-te-ei quem és...» Talvez seja por isso que o Evangelho, sempre sábio, nos aconselha: «Não julgueis...» E, em outra oportunidade: «A medida que usardes com os outros será usada convosco.»

Histórias de vida
Ed. Paulinas

Para Reflectir:

Consideras-te uma pessoa optimista ou pessimista?
Vigias os teus pensamentos e palavras?
Que cor tem o mundo que te rodeia?

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O BOM ODOR DE CRISTO

Conto:

Eram duas roseiras, cada qual a mais bonita. Cresciam juntas, alimentavam-se da mesma terra, do mesmo ar, do mesmo sol. Davam as flores mais belas do jardim.
O sonho de ambas era irradiar beleza, perfume, tornar alguém feliz.
Falavam entre si dos seus desejos.
Um dia, uma das roseiras ficou calada por muito tempo e com um ar de quem estava triste. A outra perguntou-lhe:
- Que se passa contigo, que hoje nem pareces a mesma?
A roseira respondeu:
- Estou muito preocupada porque, desejando tanto dar o que tenho de melhor aos outros, à minha volta sobrevoa um abelhardo, que só fabrica veneno; aos meus pés rasteja a cobra que só mete medo às pessoas. Não quero viver mais neste jardim. Vou murchar e deixar de existir...
A outra roseira disse-lhe:
- Não sejas tonta. Deixa que os maus façam o mal. Nós não podemos deixar de oferecer cor, perfume, alegria aos que se aproximam de nós. Temos de conseguir que o bem seja mais forte que o mal, na certeza que o bem terá a ultima palavra.

Vemos à nossa volta o mal, que se concretiza sobretudo num grande egoísmo.
As pessoas interessam-se apenas com o seu sucesso, o seu poder, o seu dinheiro. É o veneno do egoísmo.
Somos convidados neste dia, a ser como as roseiras: irradiar o bom odor de Cristo. Este «bom odor» concretiza-se numa vida de solidariedade, de ajuda mútua, de compromisso...

Pedrosa Ferreira
Bons dias
Ed. Salesianas

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A Fonte dos Pardais


Era uma vez uma fonte à beira da estrada. Os pardais das árvores vizinhas tinham ali o seu ponto de encontro.
Matavam a sede, tomavam banho, chilreavam uns com os outros.
De semana a semana, vinha um homem, sempre de automóvel, buscar água à fonte. Enchia uma quantidade de garrafões de plástico e, depois, abalava.
Nessas alturas, a pardalada fugia para o poiso das árvores e ficava a observar.
— O que é que ele vai fazer com tanta água? — intrigava-se um pardalito novo.
— Deve ir regar as couves — sugeria um pardal.
— Para regar as couves é pouca — replicava uma velha pardoca, muito conhecedora da vida.
— Então é para ele beber — propunha outro pardal.
— Para ele beber é muita — replicava a velha pardoca.
— Para o que será? — perguntava o pardalito, sem que ninguém soubesse responder-
-lhe.
Decidiu investigar. Voou atrás do automóvel, mas como ainda tinha as asas com pouca força e a estrada era às curvas e contra-curvas, perdeu-lhe o rasto. E perdeu-se.
Esvoaçou ao calhas, até descer sobre um telheiro, junto à estrada. No telheiro havia melões à venda e cebolas e batatas e garrafões de vinho. Alto lá! E também havia garrafões de água, tal e qual os que o homem do automóvel enchia, na fonte dos pardais.
Se o pardal soubesse ler, leria no rótulo dos garrafões:
“ÁGUA DA FONTE DA SAÚDE – Graças a ela, os novos crescem e os velhos não encolhem”.
Aos saltinhos, diante dos garrafões, o pardalito admirava a fotografia do rótulo. Lá estava a fonte, centro da sua vida, e uns passarinhos a beber água no rebordo do tanque. Vendo bem, aquele mais pequeno, à direita, podia ser ele, o pardalito aventureiro.
Muito orgulhoso da sua descoberta, o pardal voou muito alto, tão alto que, lá de cima, viu o telheiro dos garrafões, a estrada às curvas e a fonte da Saúde ou dos pardais, donde ele viera.
Disparou em direcção ao ponto de partida e muito excitado piou para os companheiros:
— Já sei o segredo dos garrafões. O homem anda a vender o nosso retrato mais o retrato da nossa fonte.
— E a água para que serve? — perguntou um companheiro.
— Para segurar o nosso retrato — respondeu, prontamente, o pardalito.

António Torrado

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Uma mulher e a nossa afectividade

O evangelho de hoje, a mulher pecadora (Lc 7,36-50), «fala» da nossa afectividade por meio de uma mulher. Sempre que nós pensamos construir a nossa vida a partir do racional, achando que podemos manter a nossa afectividade «do lado de fora» (quem sabe trancada num armário), ela «entra», mesmo sem ter sido convidada e começa a espalhar o seu perfume, a fazer sentir a sua presença. É a forma que a nossa afectividade encontra para nos dizer que não podemos ignorá-la. Mas o choro desta mulher, conhecida como «pecadora», indica que a nossa afectividade está magoada. A palavra «pecado» significa «errar o alvo». O alvo da nossa afectividade é o desejo de amar e ser amado que todo ser humano traz dentro de si. Mas nessa experiência de amar e ser amado todos nós já magoamos alguém ou fomos magoados por alguém. Todos nós já cometemos erros em lidar com a nossa afectividade. A agravante é que o mundo nos convida a reduzir os nossos afectos a sensações momentâneas de prazer: o importante é ter sensações, experimentar emoções intensas agora, não importando com quem e de que maneira. Depois que essas sensações e emoções passam – e elas sempre passam – sentimo-nos vazios, ao invés de nos sentir como quem amou de verdade e foi amado de verdade por alguém.
O fariseu, no silêncio do seu coração, criticou Jesus por se deixar tocar por uma «pecadora». Por sua vez, Jesus questiona o fato de o fariseu tentar se comportar na frente dele como se não tivesse afectividade: sem água para lavar os pés, sem o beijo da saudação, sem o perfume na cabeça. Quem de nós reza a Deus a partir da sua afectividade e da sua sexualidade, e não apenas a partir da sua cabeça, das suas ideias e dos seus pensamentos, os quais normalmente censuram o que os nossos afectos querem dizer a Deus na oração?
O evangelho de hoje convida a nossa afectividade a se aproximar de Jesus, aquele que viveu a sua afectividade amando a Deus com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças, para amar com o coração de Deus cada pessoa. Que Deus te conceda a graça de um diálogo sincero, maduro, reconciliador e redentor com os teus afectos.

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Alegrai-vos Comigo


«Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida.»

Sinto que o meu Jesus Se vai aproximando cada vez mais de mim. Permitiu que, nestes dias, eu caísse ao mar, me afundasse na consideração das minhas misérias, da minha soberba, para me fazer compreender mais a imperiosa necessidade que tenho Dele. Quando estava prestes a afundar-me, Jesus, caminhando sobre as águas, veio sorridente ao meu encontro para me salvar. Eu queria dizer-Lhe, como Pedro: «Afasta-Te de mim, que sou um homem pecador» (Lc 5, 8); mas a ternura do Seu coração, a suavidade do Seu tom de voz, advertiu-me: «Não tenhas medo» (Lc 5, 10).

Bem-aventurado João XXIII (1881-1963), papa
Diário da Alma, 1901-1903

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Anjo de Portugal


"A pedido do rei Dom Manuel e dos bispos portugueses, o Papa Leão X instituiu em 1504 a festa do «Anjo Custódio do Reino» cujo culto já era antigo em Portugal.
Oficializada a celebração tradicional, Dom Manuel expediu alvarás às Câmaras Municipais a determinar que essas festas em honra do nosso Anjo da Guarda fossem celebradas com a maior solenidade. Na festa do Anjo de Portugal deveriam participar as autoridades e instituições das cidades e vilas além de todo o povo.
Esta celebração manteve o seu esplendor durante os séculos XVI, XVII e XVIII em que Portugal também manteve o seu esplendor e decaiu no século XIX em que Portugal também decaiu.
Por determinação das Ordenações Manuelinas a festa do Anjo de Portugal era equiparada à festa do Corpo de Deus, já então a maior festa religiosa de Portugal, em que toda a nação afirma a sua Fé na presença real de Cristo na eucaristia.
De acordo com o testemunho dos Pastorinhos de Fátima, em 1915 e 1916 o Anjo de Portugal apareceu por diversas vezes a anunciar as aparições de Nossa Senhora nesta sua Terra de Santa Maria e deu aos Pastorinhos a comunhão com o «preciosíssimo corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo» como ele próprio declarou.
O culto do Anjo de Portugal teve o seu maior brilho nas cidades de Braga, Coimbra e Évora, e manteve-se na diocese de Braga onde se celebrava a 9 de Julho.
No tempo de Pio XII a festa do Anjo de Portugal foi restaurada para todo o País e transladada para o dia 10 de Junho a fim de que o Dia de Portugal fosse também o Dia do Anjo de Portugal.
Da generalizada devoção ao Anjo de Portugal dão fé muitas representações, sendo especialmente notáveis as imagens do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e da charola do convento de Cristo, em Tomar, a pintura da Misericórdia de Évora e a iluminura do «Livro de Horas de Dom Manuel».
O Anjo de Portugal é, até hoje, o único Anjo da Guarda de um país com culto público oficializado e foi o único Anjo da Guarda de uma nação que apareceu aos homens."

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